Centroavante: a era da extinção

centroavante

Por Walter Borba e Gustavo Medeiros

Com leitura do post “Expliquem para Mr. Bean”, do Corneta do RW e, do post “A polêmica  – Centroavante”, do Resenha Tricolor, fiquei estimulado a escrever sobre o assunto. E meu objetivo é que o texto complemente as idéias lançadas pelos ilustres “blogueiros” acima referidos.

Para tanto, recorri ao Setor de Pesquisas e Estatísticas Avançadas do Resenha, sediado em Colônia/Alemanha, capitaneado pelo Dr. Gustavo Medeiros, o qual gentilmente me respondeu um “whatsapp” com um questionamento singelo, mas polêmico aqui no Rio Grande do Sul (vg. República do Texas, by RW) – “O bendito centroavante”.

A minha questão ao Gustavo foi a seguinte: – Gustavo quem fez mais gols no Grêmio nos últimos 5 anos? Os centroavantes ou os atacantes de movimentação? Estaticamente  quem é mais útil?

Sir Gustavo no mesmo dia me encaminhou um e-mail com os dados a seguir, e para minha surpresa ele foi além do meu pedido, encaminhando-me os goleadores do Grêmio desde 2001 a 2017.

Vejam e tirem suas próprias conclusões sobre a necessidade do Centroavante “aipim”:

2001

Zinho 23

Luis Mário 15

Marcelinho Paraíba 15

Total Grêmio: 135

2002

Rodrigo Fabri 26

Rogrido Mendes 22

Anderson Lima 13

Total Grêmio: 111

 

2003

Anderson Lima 15

Christian 12

Gilberto 9

Total Grêmio: 90

2004

Christian 27

Cláudio Pitbull 23

Marcelhinho Rodrigues 5

Total Grêmio: 104

2005

Samuel 11

Somália 10

Anderson 7

Total Grêmio: 78

2006

Rômulo 13

Theco 12

Herrera 12

Total Grêmio: 109

2007

Tuta 18

Diego Souza 16

Tcheco 15

Total Grêmio: 107

2008

Perea 17

Reinaldo 12

Roger 10

Total Grêmio: 110

2009

Jonas 24

Souza 23

Maxi López 17

Total Grêmio: 126

2010

Jonas 44

Borges 20

Maylson 13

Total Grêmio: 146

2011

Douglas 16

André Lima 14

Borges 11

Total Grêmio: 113

2012

Marcelo Moreno 22

Kléber 15

André Lima 14

Total Grêmio: 128

2013

Barcos 14

Zé Roberto 10

Vargas 9

Total Grêmio: 85

2014

Barcos 29

Luan 9

Dudu 8

Total Grêmio: 81

2015

Luan 18

Giuliano 11

Douglas 10

Total Grêmio: 93

2016

Pedro Rocha 12

Luan 12

Everton 9

Total Grêmio: 101

2017

Barrios 18

Luan 18

Everton 12

Total Grêmio: 121

Algumas observações do Gustavo:

1 – Geralmente quando tem jogadores mais fixos, o número de gols do Grêmio, no total, cai bastante durante o ano;

2 – Os anos que o Grêmio mais fez gols durante o ano, não tinha centroavante fixo;

3 – 2016 foi a temporada do Bobô, nem ficara entre os artilheiros, Everton, Luan e Pedro Rocha, sim.

Conclusão: Os números não mentem. Está cabalmente demonstrado que chegou “ a era da extinção dos centroavantes”, ao menos no Grêmio. O futebol não tem mais vez para “grandalhões desengonçados e caneludos”, porém, aqui no “Texas”, todo início do ano é a mesma ladainha de quem vai ser o centroavante do Grêmio. É um desejo ardente, tórrido, cálido e incandescente que não tem explicação! Ou tem?

19 comentários em “Centroavante: a era da extinção

  1. Me baseio nos melhores times do Mundo atualmente. Todos tem atacantes de movimentação. Penso ser a evolução, o tal futebol Total. O 9 pra mim, não quer dizer centroavante fixo, parado na frente. Quer dizer o homem mais avançado do ataque. Mas com características de movimentação, velocidade e habilidade. Que não precise esperar outros para criar oportunidades de gol para ele. Que possa criar as próprias oportunidades, driblando um zagueiro, por exemplo. Enfim, concordo com o texto, ainda mais que temos um esquema de jogo bem treinado de toque de bola e raramente cruzamos para a área.

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  2. BOA TARDE!
    Pela primeira vez escrevendo nesse espaço, que descobri apenas hoje, saliento que gostei das opiniões e do debate em alto nível.
    Minha opinião nesse caso é que a referência na frente precisa existir sempre, seja ela com Barrios – Jael ou Luan e como em 2016, Douglas. Não é possível os jogadores todos correrem pra frente e pra trás o tempo todo, precisa alguém segurar a bola na frente, ou na intermediária de ataque (terceiro quarto do campo conforme Roger Machado) (não acho que Jael consiga fazer isso). Cícero pode!
    a IVI anda doidinha por esse assunto porque o Inter tem dois 9 de ofício, Damião e Roger.

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    1. Olá Márcio. Realmente é necessário saber reter a bola e a retenção pode ser nas laterais meio campo ou ataque. Depende de treinamento e capacitação técnica dos jogadores.

      O que mais observamos é alguém jogar a bola para um é o mesmo acuado chutar em gol devolvendo ao adversário.

      São poucos os centroavantes que sabem tabelar e reter a bola com inteligência e segurar o jogo dosando o desgaste do time. Claro que isso com um placar bem favorável…

      Hoje o Grêmio possui bons elementos para esta dosagem com jogadores habilidosos e capacitados. Depende de treinamento e posicionamento para este fim com um elemento sempre livre para receber a bola.

      Mesmo com placares adversos podemos ver jogadores de muita qualidade na base também para estas funções. É só uma questão de treinamento…

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    2. Marcio.
      Cícero tentou fazer o falso 9 contra o Barcelona do Equador e naufragou. Eu estava na Arena. Prá mim foi mais uma das invencionices do Renato. Luan deu uma declaração essa semana que gostaria de ser o falso 9 enquanto não contratam um atacante para o lugar. Lembre que em 2016 ele fez muitos gols no primeiro turno do brasileirão atuando nessa posição. Se não me engano era um dos artilheiros do campeonato. Na virada do turno veio Bobô e o resto todo mundo já sabe.
      Abraço

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      1. Acho que Luan rende muito mais na meia, assim revolucionou a seleção olímpica e assim foi eleito o craque da Libertadores 2017. Virando falso 9, mexe em 2 posições importantes do time, pois Cícero é muito menos jogador que Luan, na meia. Prefiro que entre então algum guri da base ou Everton E Alisson no ataque então.

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  3. Uma coisa que quase não se vê em jogadores nos jogos de base é chutes de primeira. Sempre querem dar um toque na bola para depois chutar. Raramente se observa também nos ditos profissionais.

    Entendo como culpa dos treinadores que não exigem dos jogadores arremate de primeira. Gol é bola dentro da rede e não importa se é gol de placa ou de bico. O resto é perfumaria.

    Muitos dos maiores goleadores e definidodes de campeonatos não eram centroavantes. Eram jogadores que gostavam de fazer gols e tendo oportunidade não deixavam passar.

    Virou obsessão um centroavante para muitos…

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  4. Pessoal, o centroavante não é, necessariamente, um cara de área, trombador, caneludo, que passa os 90 minutos esperando uma levantada para cabecear. Esse tipo de jogador sim está em extinção, mas a função centroavante mudou. Hoje, os principais da posição são móveis, técnicos, jogam (e muito) com os pés, dentro e fora da área.
    Um jogador com essas características seria muito bem-vindo pro Grêmio e não mudaria em nada a maneira do time jogar.
    Olha o Corinthians com o Jô. Cruzava pouco a bola na área, apesar da altura dele.
    O que o Grêmio precisa é o cara da finalização. Com Luan, Arthur, Maicon, um meio campo de toque de bola, o estilo de jogo continuará igual com poucos cruzamentos. O centroavante se adaptará ao time e não o contrário, vide o Barrios.
    O que faltou em 2017 para o time ser ainda mais letal foi um finalizador mais efetivo, o tal fazedor de gols.
    O Grêmio cria bastante, falta maior efetividade. Um centroavante ajudaria muito. Claro que não um ‘aipim’, mas um que saiba jogar também.

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  5. É muito mais vantagem investir em jogadores de movimentação e que possam atuar tanto no meio como no ataque. O centroavante se sair da área já não faz nada, até porque só tem força e tamanho. E como o Walter disse, o problema são os centroavantes que estão disponíveis.

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  6. Vou discordar.
    Fazer o centroavante jogar e ser decisivo depende e muito de duas coisas: treinador e meias/atacantes.
    Grêmio atingiu o melhor futebol de 2017 com Barrios lá na frente.
    Renato quer um 9 obrigatoriamente. Se não tiver ninguém vai colocar Jael de titular. Podem anotar!
    Jonas atuou como 9 inúmeras vezes.
    Então o centroavante virá, não dá pra depender só do Jael como alternativa de estilo de jogo.

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    1. Márcio, não sou contra o 9.
      Entretanto os 9 disponíveis do mercado, não tem mais cabimento no futebol atual.
      Centroavante fixo só atrapalha a variação de esquema.
      Se viesse um Cavani, Bale e Ibrahmovich, eu já reconsideraria.

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    2. Marcio, nesse teu argumento que eu gostaria de questionar.

      É exatamente, esse o ponto.

      Vale a pena, “sacrificar” dois ou três meias, laterais, para que joguem em função do centroavante?

      Marcando esse centroavante, na teoria, mata o time.

      No melhor ano do Barcos, ele fez 29 gols. Mas o Grêmio só fez 81. Quando ele não fazia gols, dificilmente o Grêmio ganhava. Era muito dependente.

      Esse é o ponto que queria mostrar.

      Abraços, amigo.

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